De tudo um pouco!

RENÉ DESCARTES

9 de abril de 2008

René Descartes nasceu no ano de 1596 em La Haye (hoje Descartes), no departamento francês de Indre-et-Loire. Com oito anos, ingressa no colégio jesuíta Royal Henry-Le-Grand em La Flèche. O curso em La Flèche durava um triénio, tendo Descartes sido aluno do Padre Estevão de Noel, que lia Pedro da Fonseca nas aulas de Lógica, a par dos Commentarii. Descartes reconheceu que lá havia certa liberdade, no entanto no seu Discurso sobre o método declara a sua decepção não com o ensino da escola em si mas com o baseado na cultura e tradição que era fundamentalmente escolástico cujo conhecimento científico achava confuso, obscuro e nada prático. Em carta a Mersenne, diz que "os Conimbres são longos, sendo bom que fossem mais breves. Crítica, aliás, já então corrente, mesmo nas escolas da Companhia de Jesus"; Descartes esteve em La Flèche uns nove anos (1606-1615) [1]. "Descartes não mereceu, como se sabe, a plena admiração dos escolares jesuítas, que o consideravam deficiente filósofo"[2]. Prosseguiu depois seus estudos graduando-se em Direito em 1616 pela Universidade de Poitiers.
No entanto, Descartes nunca exerce o Direito, e em 1618 alistou-se no exército do Príncipe Maurício de Nassau com a intenção de seguir carreira militar. Mas se achava menos um ator do que um espectador: antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar. Conheceu então Isaac Beeckman que o influenciou fortemente e compôs um pequeno tratado sobre música intitulado Compendium Musicae (Compêndio de Música). É nessa época também que escreve Larvatus prodeo (Eu caminho mascarado). Em 1619, viaja até a Alemanha aonde no dia 10 de Novembro teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico. Em 1622, ele retorna à França passando os seguintes anos em Paris.
Em 1628 compõe as Regulae ad directionem ingenii (Regras para a Direção do Espírito) e parte para os Países Baixos aonde morou até 1649. Em 1629 começa a redigir o Tratado do Mundo, uma obra de Física, a qual aborda a sua tese sobre o heliocentrismo. Porém, em 1633, quando Galileu é condenado pela Inquisição, Descartes abandona seus planos de publicá-lo. Em 1635 nasce Francine, filha de uma serviçal. Ela foi batizada no dia 7 de Agosto de 1635 mas morre precocemente em 1640, o que foi um grande baque para Descartes.
Em 1637, ele publica três pequenos tratados científicos: A Dióptrica, Os Meteoros e A Geometria, mas o prefácio dessas obras é que faz seu futuro reconhecimento: o Discurso sobre o método. Em 1641, aparece sua obra filosófica e metafísica mais imponente: as Meditações Sobre a Filosofia Primeira, com os primeiros seis conjuntos de Objeções e Respostas. Os autores das objeções são: do primeiro conjunto, o téologo holandês Johan de Kater; do segundo, Mersenne; do terceiro, Thomas Hobbes; do quarto, Arnauld; do quinto, Gassendi; e do sexto conjunto, Mersenne. Em 1642, a segunda edição das Meditações incluía uma sétima objeção, feita pelo jesuíta Pierre Bourdin, seguida de uma Carta a Dinet. Em 1643, o cartesianismo é condenado pela Universidade de Utrecht e Descartes começou sua vasta correspondência com Isabel da Boémia. Descartes publica então Os Princípios da Filosofia, aonde resume seus princípios filosóficos que formariam "ciência", e faz uma visita rápida a França em 1644, onde encontra o embaixador da França junto à corte sueca, Chanut, que o põe em contato com a rainha Cristina da Suécia. Nesta ocasião, teria declarado que o Universo é totalmente preenchido por um "éter" onipresente. Assim, a rotação do Sol, através do éter, criaria ondas ou redemoinhos, explicando o movimento dos planetas, tal qual uma batedeira. O éter também seria o meio pelo qual a luz se propaga, atravessando-o pelo espaço desde o Sol até nós. Em 1647 ele foi premiado com uma pensão pelo Rei da França e começou a trabalhar na Descrição do Corpo Humano. Ele entrevistou Frans Burman em Egmond-Binnen em 1648, resultando na Conversa com Burman. Em 1649 ele foi à Suécia a convite da Rainha Cristina, e suas Tratado das Paixões, que ele dedicou a Princesa Isabel, foram publicados.
René Descartes morreu de pneumonia no dia 11 de Fevereiro, 1650 em Estocolmo, Suécia, onde ele estava trabalhando como professor a convite da Rainha. Acostumado a trabalhar na cama até meio-dia, sua saúde por ter sofrido com as demandas da Rainha Christina - começavam seus estudos às 5 da manhã. Como um católico num país protestante, ele foi enterrado num cemitério de crianças não batizadas, em Adolf Fredrikskyrkan em Estocolmo. Depois, seus restos foram levados para a França e enterrados na Igreja de São Genevieve-du-Mont em Paris. Um memorial construído no século XVIII permanece na igreja sueca.
Durante a Revolução Francesa seus restos foram desenterrados a fim de serem deslocados para o Panthéon ao lado de outras grandes figuras da França. A vila no vale do Loire onde ele nasceu foi renomeada La Haye-Descartes.
Em 1667, depois de sua morte, a Igreja Católica Romana colocou suas obras no Index Librorum Prohibitorum (Índice dos Livros Proibidos).
do apenas como um exemplo no seu Discurso Sobre o Método.

Citações
O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: René Descartes."Descartes deseja ser ao nível da cognição um self-made-man. Ele é o Samuel Smiles do empreendimento cognitivo" - Ernest Gellner, "Reason and Culture", Oxford 1992, p. 3. "Penso, logo existo!" - René Descartes

Obras importantes
Regras para a direção do espírito (1628?) - obra da juventude inacabada na qual o método aparece em forma de numerosas regras
Discurso sobre o método (1637)
Geometria (1637)
Meditações (1641) - expande o método cartesiano exposto em "Discurso sobre o método"

Fonte: Wikipedia

Cultura e Poder

Ensaios Sobre Fenômenos Comunicacionais

Por José Marques de Melo em 8/4/2008
Prefácio de Jornalismo, cultura e poder, de Ana Regina Rego, 350 pp., Editora da Universidade Federal do Piauí, Teresina 2007

O Piauí ingressou tardiamente na era das ciências da comunicação. Faz parte dos segmentos do território nacional cujas universidades, somente no final do século 20, abriram suas portas ao ensino e à pesquisa dos fenômenos midiáticos. Mas é impressionante como aquela unidade da federação, se comparada às que a precederam imediatamente, vem ganhando notoriedade pela competência, seriedade e elã dos novos pesquisadores. Quando enveredam pelos estudos de mestrado e doutorado, alguns deles logo conquistam projeção e inspiram confiança. Se ainda não ocupam posições destacadas nos indicadores quantitativos da nossa área de conhecimento, sem dúvida os pesquisadores piauienses estão situados em patamares qualitativos relevantes.
Escrito por Ana Regina Rego, com participação de Maria das Graças Targino, Jornalismo, cultura e poder comprova plenamente a assertiva.
Trata-se de um conjunto de ensaios sobre fenômenos comunicacionais da sociedade piauiense ou sobre fenômenos nacionais e globais analisados em sintonia com a identidade regional. Não obstante o Jornalismo figure em posição hegemônica, a Propaganda e as Relações Públicas, a Comunicação Cultural, a Comunicação Científica e a Comunicação Mercadológica ganham espaço e atenção, focalizadas com destreza, equilíbrio e originalidade.

Ousadia pedagógica

Quem quiser conhecer a dinâmica da comunicação contemporânea, em tempo de mudança acelerada, encontrará nesta coletânea referencial suficiente para avaliar processos remanescentes do século 19, como, por exemplo, o controle que as velhas oligarquias exerceram sobre a imprensa. Transitará igualmente por episódios típicos do século 20, como é o caso dos estreitos limites éticos do jornalismo praticado pelas modernas empresas do ramo. Finalmente, poderá alcançar as bandeiras empunhadas neste início do século 21, entre elas a democratização do conhecimento científico, o incentivo ao fortalecimento do artesanato regional, através do marketing cultural, ou o jornalismo cívico possibilitado pela mídia de livre acesso aos cidadãos.
Além de bem escritos, os estudos aqui reunidos são assinados por duas pesquisadoras que inspiram credibilidade suscitam respeito e motivam simpatia pelo itinerário que percorreram na academia e na profissão.
Ana Regina Rêgo e Maria das Graças Targino pertencem a gerações que se cruzam. Ana Regina é oriunda das primeiras turmas diplomadas em Jornalismo pela Universidade Federal do Piauí. Graças Targino transcendeu a tarefa rotineira dentro da academia. Docente de metodologia científica, ela não se restringiu a dar aulas, corrigir trabalhos e aprovar/reprovar alunos, procurando fazer o batismo de fogo daqueles que tinham vocação para pesquisa.
Ana Regina é beneficiária dessa ousadia pedagógica, tendo participado de projetos de iniciação científica durante a graduação, o que a impulsionou a seguir a carreira acadêmica. Tornou-se colega de magistério da sua mestra, compondo a segunda geração dos professores de comunicação do Piauí. Conseqüentemente, buscou aperfeiçoar-se, fazendo mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro e agora, doutorado na Universidade Metodista de São Paulo.

Postura ética

Graças Targino aposentou-se precocemente, mas continuou a incentivar antigos alunos, com eles compartilhando de projetos de interesse coletivo. Insatisfeita com a performance de outsider em estudos sobre os fenômenos jornalísticos, nos quais atuava como consultora metodológica, ela decide realizar uma jornada proustiana à procura do tempo perdido. Fez vestibular para Jornalismo numa universidade particular, onde foi aluna de ex-alunos que, depois de profissionalizados, optaram pela docência. Depois de diplomada, retomou a parceria científica com alguns deles, inclusive Ana Regina e seus companheiros de geração.
O presente livro é fruto desse reencontro entre jornalistas-pesquisadoras que preservam valores como afetividade, humildade e gratidão. Simboliza, paradoxalmente, o trabalho conjunto de três gerações. Ana Regina representa a geração do meio, enquanto Graças Targino personifica a um só tempo a primeira e a terceira geração. Na verdade, a autoria de 80% dos capítulos pertence a Ana Regina, pois Graças Targino assina apenas um deles e é co-autora de outro. Mas a sua presença intelectual transparece no conjunto da obra, deixando marcas que a jovem parceira reconhece enaltecendo.
Trata-se de postura ética a merecer endosso, continuidade. Ela, certamente, difere do comportamento assumido por pesquisadores que pretendem queimar etapas, exibindo auto-suficiência postiça, sonegando o reconhecimento devido aos mestres. Se não existissem outras qualidades a justificar a leitura deste livro, tal virtude seria suficiente para recomendá-lo aos jovens que almejam um lugar ao sol no campo midiático ou no espaço universitário.

Fonte: Observatório da Imprensa

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