De tudo um pouco!

Livro - Amor Líquido

29 de abril de 2008

Amor Líquido - Sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zigmunt Bauman, mostra-nos que hoje estamos mais bem aparelhados para disfarçar um medo antigo. A sociedade neoliberal, pós-moderna, líquida, para usar o adjetivo escolhido pelo autor, e perfeitamente ajustado para definir a atualidade, teme o que em qualquer período da trajetória humana sempre foi vivido como uma ameaça: o desejo e o amor por outra pessoa.

Sinopse:

A modernidade líquida – um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível – em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos, um amor líquido. Zygmunt Bauman, um dos mais originais e perspicazes sociólogos em atividade, investiga nesse livro de que forma nossas relações tornam-se cada vez mais “flexíveis”, gerando níveis de insegurança sempre maiores. A prioridade a relacionamentos em “redes”, as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade – e freqüentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual –, faz com que não saibamos mais manter laços a longo prazo. Mais que uma mera e triste constatação, esse livro é um alerta: não apenas as relações amorosas e os vínculos familiares são afetados, mas também a nossa capacidade de tratar um estranho com humanidade é prejudicada. Como exemplo, o autor examina a crise na atual política imigratória de diversos países da União Européia e a forma como a sociedade tende a creditar seus medos, sempre crescentes, a estrangeiros e refugiados. Com sua usual percepção fina e apurada, Bauman busca esclarecer, registrar e apreender de que forma o homem sem vínculos — figura central dos tempos modernos — se conecta.

Autor: Zigmund Bauman

Editora: Jorge Zahar

Zigmund Bauman e a Liquidez

Professor emérito de sociologia nas Universidades de Varsóvia e de Leeds, na Inglaterra, ele tem vários livros traduzidos para o português, e o tema recorrente em sua obra são os vínculos sociais possíveis no mundo atual, neste tempo que se convencionou denominar de pós-modernidade.
A noção de liquidez, quando se refere às relações humanas, tem um sentido inverso ao empregado nas relações bancárias, a disponibilidade de recursos financeiros. A liquidez de quem tem uma conta polpuda no banco, acessível a partir de um comando eletrônico é capaz de tornar qualquer desejo uma realidade concreta. É um atributo potencializador. O amor líquido, ao contrário, é a sensação de bolsos vazios.
É preciso deixar claro que Bauman não se propõe a indicar ao leitor fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, nem como mantê-las atraentes ao longo do tempo, muito menos como preservá-las dos possíveis, e às vezes inevitáveis, desgastes no decorrer da vida a dois. Não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas, nunca houve. Quem vende propostas de baixo risco são comerciantes de mercadorias falsificadas.
A área de estudo principal de Bauman é a sociologia, o campo do pensamento que vai ser o ponto de partida e o foco fundamental do retrato sobre a urgência de viver um relacionamento plenamente satisfatório dos cidadãos pós-modernos. Digamos que as dificuldades vividas por um casal refletem o estilo que uma comunidade mais ampla estabelece como padrão aceitável de relacionamento entre seus vizinhos, entre os que habitam um espaço comum. Bauman é realista. Sabe que “nenhuma união de corpos pode, por mais que se tente, escapar à moldura social e cortar todas as conexões com outras facetas da existência social”. Portanto, partindo do seu campo específico de estudo, ele faz uma radiografia das agruras sofridas pelos homens e mulheres que têm que estabelecer suas parcerias no mundo globalizado.
Mundo que ele identifica como líquido, em que as relações se estabelecem com extraordinária fluidez, que se movem e escorrem sem muitos obstáculos, marcadas pela ausência de peso, em constante e frenético movimento. Em seus livros anteriores, já traduzidos e disponíveis para o leitor brasileiro, Bauman defende a idéia de que esse processo de liquefação dos laços sociais não é um desvio de rota na história da civilização ocidental, mas uma proposta contida na própria instauração da modernidade. A globalização, palavra onde estão contidos os prós e os contras da vida contemporânea e suas conseqüências políticas e sociais, pode ser um conceito meio difuso, mas ninguém fica imune aos seus efeitos. A rapidez da troca de informações e as respostas imediatas que esse intercâmbio acarreta nas decisões diárias; qualidades e produtos que ficam obsoletos antes do prazo de vencimento; a incerteza radicalizada em todos os campos da interação humana; a falta de padrões reguladores precisos e duradores; são evidências compartilhadas por todos os que estão neste barco do mundo pós-moderno. Se esse é o pano de fundo do momento, ele vai imprimir sua marca em todos as possibilidades da experiência, inclusive nos relacionamentos amorosos. O sociólogo Zygmunt Bauman mostra como o amor também passa a ser vivenciado de uma maneira mais insegura, com dúvidas acrescidas à já irresistível e temerária atração de se unir ao outro. Nunca houve tanta liberdade na escolha de parceiros, nem tanta variedade de modelos de relacionamentos, e, no entanto, nunca os casais se sentiram tão ansiosos e prontos para rever, ou reverter o rumo da relação.
O apelo por fazer escolhas que possam num espaço muito curto de tempo serem trocadas por outras mais atualizadas e mais promissoras, não apenas orientam as decisões de compra num mercado abundante de produtos novos, mas também parecem comandar o ritmo da busca por parceiros cada vez mais satisfatórios. A ordem do dia nos motiva a entrar em novos relacionamentos sem fechar as portas para outros que possam eventualmente se insinuar com contornos mais atraentes, o que explica o sucesso do que o autor chama de casais semi-separados. Ou então, mais ou menos casados, o que pode ser praticamente a mesma coisa. Não dividir o mesmo espaço, estabelecer os momentos de convívio que preservem a sensação de liberdade, evitar o tédio e os conflitos da vida em comum podem se tornar opções que se configuram como uma saída que promete uma relação com um nível de comprometimento mais fácil de ser rompido. É como procurar um abrigo sem vontade de ocupá-lo por inteiro. A concentração no movimento da busca perde o foco do objeto desejado. Insatisfeitos, mas persistentes, homens e mulheres continuam perseguindo a chance de encontrar a parceria ideal, abrindo novos campos de interação. Daí a popularidade dos pontos de encontros virtuais, muitos são mais visitados que os bares para solteiros, locais físicos e concretos, onde o tête à tête, o olho no olho é o início de um possível encontro. Crescem as redes de interatividade mundiais onde a intimidade pode sempre escapar do risco de um comprometimento, porque nada impede o desligar-se. Para desconectar-se basta pressionar uma tecla; sem constrangimentos, sem lamúrias, e sem prejuízos. Num mundo instantâneo, é preciso estar sempre pronto para outra. Não há tempo para o adiamento, para postergar a satisfação do desejo, nem para o seu amadurecimento. É mais prudente uma sucessão de encontros excitantes com momentos doces e leves que não sejam contaminados pelo ardor da paixão, sempre disposta a enveredar por caminhos que aprisionam e ameaçam a prontidão de estar sempre disponível para novas aventuras. Bauman mostra que estamos todos mais propensos às relações descartáveis, a encenar episódios românticos variados, assim como os seriados de televisão e seus personagens com quem se identificam homens e mulheres do mundo inteiro. Seus equívocos amorosos divertem os telespectadores, suas dificuldades e misérias afetivas são acompanhadas com o sorriso de quem sabe que não está sozinho no complicado jogo de esconde-esconde amoroso.
A tecnologia da comunicação proporciona uma quantidade inesgotável de troca de mensagens entre os cidadãos ávidos por relacionar-se. Mas nem sempre os intercâmbios eletrônicos funcionam como um prólogo para conversas mais substanciais, quando os interlocutores estiverem frente a frente. Os habitantes circulando pelas conexões líquidas da pós-modernidade são tagarelas a distância, mas, assim que entram em casa, fecham-se em seus quartos e ligam a televisão.
Zygmunt Bauman explica que hoje “a proximidade não exige mais a contigüidade física; e a contigüidade física não determina mais a proximidade”. Mas ele reconhece que “seria tolo e irresponsável culpar as engenhocas eletrônicas pelo lento, mas constante recuo da proximidade contínua, pessoal, direta, face a face, multifacetada e multiuso”. As relações humanas dispõem hoje de mecanismos tecnológicos e de um consenso capaz de torná-las mais frouxas, menos restritivas. É preciso se ligar, mas é imprescindível cortar a dependência, deve-se amar, porém sem muitas expectativas, pois elas podem rapidamente transformar um bom namoro num sufoco, numa prisão. Um relacionamento intenso pode deixar a vida um inferno, contudo, nunca houve tanta procura em relacionar-se. Bauman vê homens e mulheres presos numa trincheira sem saber como sair dela, e, o que é ainda mais dramático, sem reconhecer com clareza se querem sair ou permanecer nela. Por isso movimentam-se em várias direções, entram e saem de casos amorosos com a esperança mantida às custas de um esforço considerável, tentando acreditar que o próximo passo será o melhor. A conclusão não pode ser outra: “a solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar um terreno doméstico comum”.

New Message Pads

22 de abril de 2008

 

A crítica da mídia é uma missão maldita

15 de abril de 2008

A crítica da mídia é uma missão maldita

Impossível separar o lançamento na grande imprensa do livro de Eugênio Bucci (Em Brasília, 19 horas, Editora Record, 2008) do anúncio da não-renovação do mandato do ombudsman da Folha de S.Paulo, Mário Magalhães [ver remissões abaixo].

A convergência não se dá apenas no tempo: a Editora Record conseguiu que os três jornalões nacionais fizessem a apresentação do livro no mesmo dia (sábado, 5/4) enquanto a melancólica despedida de Mario Magalhães deu-se no dia seguinte, domingo, evidentemente só na Folha.

A confluência dá-se também no perfil dos protagonistas – Bucci e Magalhães, embora em veículos e estilos diferentes, revelam-se esmerados e intransigentes media critics. E muito próximos no teor das manifestações. Ambas arrasadoras. Num caso, o alvo é o jornalismo oficial, no outro o jornalismo comercial.

Coragem moral

Uma frase lapidar de Bucci foi parar na primeira página do Globo (repetida na capa do seu "Segundo Caderno"):

"Pode haver a mínima ética jornalística numa empresa cuja administração seja controlada pelo governo? É claro que não. Para que o jornalismo seja viável, o governo deve ser mantido a quilômetros de distância da redação."

A mesma frase, ou paráfrase, poderia ser aplicada às empresas jornalísticas privadas:

Pode haver a mínima ética numa empresa jornalística voltada apenas para o faturamento mensal, esquecida das ameaças que a curto prazo rondam a mídia impressa? É claro que não. Para que o jornalismo privado seja viável e sobreviva à revolução tecnológica, é imperioso que interesses comerciais mesquinhos sejam mantidos a quilômetros de distância da redação.

A verdade é que Eugênio Bucci, com tranqüilidade e discrição, venceu todas as pressões. A Radiobrás que presidiu ao longo do primeiro mandato do presidente Lula não se converteu em extensão do PT ou da base aliada, seu noticiário foi eqüidistante, seu orçamento foi respeitado e a empresa não foi convertida num cabide de empregos.

No plano pessoal, Bucci conseguiu manter uma linha de independência e integridade intelectual raramente igualada na esfera palaciana nas últimas décadas: recusou publicamente o trambique do Conselho Federal de Jornalismo, denunciou a hegemonia dos assessores de comunicação na Federação dos Nacional Jornalistas (Fenaj) e contestou o governo no início do "complô da mídia", afirmando com todas as letras que governos não podem fingir-se de vítimas.

Significa que Bucci, o autor, contradiz Bucci, o presidente de uma empresa de "jornalismo público"? Não. Significa apenas que os nossos conceitos sobre a natureza das instituições não podem passar ao largo das considerações sobre a natureza humana.

É possível, sim, produzir um "jornalismo público" numa empresa estatal de um país dominado pelo patrimonialismo. Basta ter convicção, coragem moral e despir-se de qualquer arrogância.

Vaticínio confirmado

No caso da descontinuidade do mandato do ouvidor Mário Magalhães, a Folha de S.Paulo errou. E errou porque em alguns momentos, influenciada por imponderáveis conjugações dos astros, o mais ousado dos nossos jornalões age como se estivesse acima do bem e do mal, ungido pelos deuses.

Não se mudam as regras do jogo no meio do jogo. Sobretudo quando estas regras foram consagradas como um marco. A circulação pela internet dos comentários diários do ombudsman representa um avanço extraordinário em matéria de transparência e responsabilidade social. Nenhum ouvidor aceitaria uma alteração tão drástica no meio do seu mandato abrindo mão de parte essencial de suas funções.

Uma empresa comercial pode tomar decisões aéticas. A necessidade de garantir a sobrevivência de centenas ou milhares de empregados pode colocá-las diante de impasses só resolvidos no plano do pragmatismo. Seres humanos – e não apenas os encarregados de proteger e estimular a ética profissional – não podem esconder debaixo do tapete as cogitações morais.

No caso de ouvidores, treinados e contratados para serem solitários e exigentes, é inadmissível que capitulem, seduzidos pela argumentação da realpolitik. Seria indecente.

Eugênio Bucci e Mário Magalhães são seres íntegros que levaram as respectivas visões de mundo e visões de vida às últimas conseqüências. Não conflitam, completam-se. Viveram seus desafios em mundos opostos, talvez irreconciliáveis, e comprovam que homens de fibra comprometidos com suas consciências, mesmo impedidos de finalizar seus projetos, jamais poderão ser vistos como derrotados.

Fonte: Observatório da Imprensa

Caso Isabella Nardoni

10 de abril de 2008

Não se fala em outra coisa, a não ser a trágica morte da menina Isabella, eu fico até com nó na garganta quando ouço os noticiários, falando isso e aquilo e dando a entender que o pai é o culpado junto com a madrasta, mas aí eu penso xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii e se não foi ele quem fez? Claro que já temos relatos de casos que as pessoas eram acima de qualquer suspeita e eram os verdadeiros culpados: caso Daniela Perez e caso Richthofen, quando vi estes casos pensava, não, não é possível alguém ser capaz de fazer isso, mas no fim tinha feito.
Bom não sei o que dizer, pois não conheço as pessoas e mesmo assim hoje em dia quem é que conhece realmente alguém, mesmo sendo amigo ou parente? Não colocamos a mão no fogo por ninguém, ou melhor eu pelo menos não coloco.
Vi em algum lugar que agora não vou lembrar, que estamos com acesso a muitas informações sobre este caso e estava parabenizando a polícia em estar sendo gentil com jornalistas e informando sempre que algo novo era descoberto e no mesmo lugar dizia: será que é assim mesmo ou a Polícia, não diz tudo o que sabe?
Enfim, eu como uma mera telespectadora vou aguardar próximas notícias, rezo para que realmente este pai não seja o culpado, por que se for infelizmente vamos ter que admitir: Monstros Existem!

Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://mmgandara.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.